Critiques

Au-delà de la forêt, a saudade de ser criança

Par Evelise Mendes – 20 juillet 2018

Au-delà de la forêt, le monde, texte et mise en scène Inês Barahona et Miguel Fragata (Portugal),

 Chapelle des pénitents blancs, Festival d’Avignon 2018.


Le texte tourne autour du jeune garçon afghan Farid qui est obligé de quitter son pays à cause de la guerre. L’intrigue met en lumière alors l’enjeu des réfugiés en Europe, la question de la construction de l’identité (ou le fait d’une non-identité). Il s’agit, en définitive, de la « saudade » que le jeune garçon afghan Farid éprouve d’un ailleurs… Non pas le sentiment équivalent à la nostalgie, mais plutôt une « saudade » assez mélancolique d’avoir eu un regard d’enfant porté sur l’hostilité du monde. Malgré cette approche sensible, certains clichés d’un théâtre pour les enfants sont présents dans la mise en scène de Barahona et Fragata : l’emploi de valises, les sacs-à-dos, le long tapis, la grande carte du monde, l’effort de rendre risible ce qui n’est pas risible, le ton parfois « sympathique excessif » du jeu d’acteur. C’est bien dommage car le texte est plus sensible et profond que sa traduction scénique.


(la suite en portugais)

Duas atrizes ja estão sobre o palco. Vemos muitas malas, em diversos formatos, ao redor das atrizes Anne-Élodie Sorlin e Émilie Caen. Elas vão nos contar uma história, a história de um menino afegão (Farid) que deve fugir de seu país devido à guerra que assola sua região.

O texto tem portanto como pano de fundo a crise dos refugiados na Europa, onde vemos a fricção do encontro entre diferentes… onde a questão do território (« esse lugar é meu », « esse não é teu lugar ») coloca em xeque nossa capacidade de se pôr no lugar do outro.

A peça mostra a saga de Farid e de sua irmã, esses que têm como ponto de partida o Afeganistão e como ponto de chegada a Inglaterra. No entanto, Farid e sua irmã se perdem ao longo da viagem, o que obriga o menino a tomar as decisões e a enfrentar seus medos sozinho. Durante essa viagem/fuga, ele esbarra com todo um universo que se difere de seu lugar de origem. Ou seja, durante essa viagem, ele encontra um outro modo de organização, onde as mulheres sem o véu andam sozinhas na rua, onde a escritura linguística é totalmente diferente da sua, onde o funcionamento da vida urbana lhe é ao mesmo tempo estranha e familiar.

Essas descobertas não denotam juizo de valor (se é melhor o modo de vida ocidental ou oriental, ou vice-versa), mas somente indicam esse sentimento de não-pertecimento a um mundo que lhe é completamente hostil no início. Um sentimento de estranheza suscitado por essas situaçoes de perigo e de tensão que lhe obrigam a crescer, que marcam em definitivo sua passagem da infância a esse outro momento desconhecido (o qual é anterior à pré-adolescência). Farid portanto se encontra nessa condição indefinível de passagem de momento de vida, em meio a uma situação igualmente de passagem (de trânsito de um lugar à outro). Um momento de questionamento de sua identidade (já que a possessão sobre determinado território contribui à contrução de nossa identidade, de nossas referências) ; um momento em que ele tenta não esquecer de si mesmo.

Assim, há todo um universo sensível (de uma profundidade singela) abordado por Inês Barahona e Miguel Fragata. No entanto, o que se vê em cena é um jogo descompassado entre as atrizes Émilie Caen e Anne-Élodie Sorlin. Enquanto esta consegue encontrar o tom da sua fala e a energia do seu jogo em meio a tantos objetos e referências postos sobre o palco, a primeira demonstra sua dificuldade em se sentir à vontade na proposta.

Além disso, como se disse anteriormente, há tantos elementos no palco (as inúmeras malas e os objetos que se encontram no interior delas, o mapa, o tapete, as mochilas, etc.) que talvez tudo isso torne a contracenação refém do dispositivo cenográfico. O que é uma pena, porque algumas vezes o menos é mais… e porque se trata de uma proposta onde o clima da « saudade » melancólica não combina ao esforço de fazer rir.

 

20 juillet 2018

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Je suis obsédé par l’insensé, je suis obsédé par la multiplicité.
Didier-Georges Gabily

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